Triste constatação. Amizades verdadeiras e relações naturais e saudáveis estão cada vez mais raras. O mundo anda muito individualista. Pessoas se aproximam umas das outras por interesse ou por utilidade prática. E a maioria se afasta quando cessa a necessidade de convivência.
Compreendo que muitos agem de maneira superficial para camuflarem problemas profundos. E penso, inclusive, que alguns preferem parecer ser a ser por uma questão de mecanismo de defesa.
Está cada vez mais difícil confiar uns nos outros. Está cada vez mais difícil se enxergar por meio do reflexo do espelho. Todos se comparam, se medem e se enquadram como parâmetros. Poucos se aceitam, se julgam e se enquadram como seres humanos, de carne, osso, qualidades e defeitos.
Aonde queremos chegar? O que pretendemos objetivar? Direcionar as nossas atenções às externalidades superficiais? Matar a nossa essência para viver de aparências?
Não vejo como um método adequado mudar a própria personalidade em prol da validação alheia. Não considero saudável valorizar cegamente as críticas de outrem em detrimento da nossa intuição. Não precisa haver um conflito permanente entre o mundo externo e o nosso universo interior. Porque o que existe dentro de nós é uma imensidão impossível de medir, de classificar e de decodificar.
Somos muito mais complexos internamente do que imaginamos. Por essa razão, conhecer a si mesmo é uma iniciativa válida para vivermos melhor uns com os outros. Isso pode facilitar uma coesão mais profunda e consistente entre o individual e o coletivo. O caminho do autoconhecimento é longo, árduo e doloroso. Mas o resultado compensa o intenso processo de progresso moral e espiritual.